quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

O QUE É QUE A SUÉCIA TEM?

A convite do governo da Suécia, para tratar do tema AcessibAbility (um misto de acessibilidade com habilidade, em inglês), o Instituto Mara Gabrilli viajou à cidade de Estocolmo para conhecer de perto as políticas de inclusão para pessoas com deficiência daquele país.

A cidade cheira a coisa nova com arquitetura antiga. Nos prédios, imensos por sinal, palavras escritas em sueco chamam a atenção pela singularidade. Entre klädaffär e McDonalds – sim, a globalização está em toda a parte – podemos observar uma cidade plana onde se anda de bicicleta, tem não muitos carros, porém muito trânsito devido à estrutura estreita das ruas, e o desejo de se acessibilizar a infraestrutura urbana.

O país é signatário da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU desde 2009 e conta com uma Agência para Participação que monitora e fiscaliza todas as ações que prevêm acessibilidade na Suécia. O país tem 343 municípios, perto de 2 milhões de habitantes, e nas cidades há uma fiscalização minuciosa quanto à aplicação das regras de inclusão.

A Prefeitura da cidade de Estocolmo tem uma ombudsman somente para tratar de assuntos sobre as pessoas com deficiência, Ms. Riitta-Leena Karlsson. Falante, sorridente e honesta, Ms. Karlsson avalia que principal problema da inclusão é quando se quer cuidar tudo com assistencialismo. “Estamos trabalhando duro para inverter esse processo e fazer entender que o importante é empoderar as pessoas com deficiência”, afirmou. Nesse sentido a cidade e os governantes vem trabalhando duríssimo. Na Suécia, apenas 22% das pessoas com deficiência estão fora do mercado de trabalho, apesar de receber assistência do governo para… ficar em casa. A cidade tem 900 mil habitantes e entre 10 a 15% de pessoas com deficiência.

Então, havia uma pedra.

A caminho do Palácio Imperial, passamos por um pequeno centro comercial, com lojas de grandes marcas. Fizemos o roteiro a pé para identificar o observar a acessibilidade na arquitetura da cidade. Então, pudemos observar que no meio do caminho havia uma pedra. Havia uma pedra no meio do caminho. Como diria Drummond.

Ms. Karlsson, que nos acompanhou pelo percurso, apontou pessoalmente o que impede a total acessibilidade da cidade. Na entrada das lojas, em especial as mais antigas, ainda há marcas da cultura de anos que não quer se dobrar ante a universalidade do ser humano: existem degraus da rua para dentro das lojas. E muita, muita propaganda em mini-postes espalhados pelo calçadão e pelas calçadas.

Mas o fato é: a cidade de Estocolmo não é 100% acessível para pessoas com deficiência. A jornalista Christiane Link, nascida alemã mas residente em Londres, que nos acompanhava em comitiva – e que é cadeirante – afirmou que a cidade não é seu destino favorito – seja a lazer ou trabalho – por esse motivo. Uma verdade à la Drummond e que pode ser notada em todas as faces do mundo: as pessoas resistem à mudança. Apesar de ser pelo bem de todos.

De qualquer maneira, a grande missão da cidade de Estocolmo (como a da cidade de São Paulo e de outras cidades brasileiras e para os brasileiros com deficiência) é garantir que a pessoa com deficiência possa viver com qualidade de vida e igualidade de oportunidades na participação da vida em sociedade. Nos últimos quatro anos, a Suécia investiu algo em torno de 11 milhões de dólares em acessibilidade. Isso é mais do que o mínimo que podemos esperar. E Estocolmo vem mostrando sua intensa dedicação e empenho nesse quinhão.



Claudia Carletto


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