segunda-feira, 27 de junho de 2016

DIREÇÃO INCLUSIVA: SURDOS NO VOLANTE!



Surdos devem contar com intérprete de Libras para aprender a dirigir carros ou motos, de acordo com resolução do Contran.

Dirigir um carro ou uma moto sem escutar não é problema. Afinal, as pessoas surdas desenvolvem outras habilidades - como a maior concentração visual - que normalmente suprem a falta da audição. E isso é suficiente para evitar que elas se envolvam em acidentes. A observação é da especialista em treinamento de condutores com deficiência, Vanessa Petrilo. "A dificuldade maior das pessoas surdas é com o exame teórico", afirma ela. "Isso porque, na língua de sinais, um símbolo pode significar várias coisas e por isso fica difícil explicar para um surdo termos específicos, como o que é um condutor".
Desde outubro, no entanto, essa comunicação começou a ficar mais fácil, já que uma resolução do Contran passou a exigir que autoescolas e órgãos de trânsito disponibilizem intérprete de Libras nas diversas fases do processo de habilitação de condutores surdos. Teoricamente, com a medida, os surdos poderão contar com intérpretes melhor treinados e capacitados a passar os conceitos específicos sobre direção e legislação de trânsito. Antes da exigência, normalmente os surdos levavam pessoas conhecidas como intérpretes.
De acordo com a resolução do Contran, a garantia da presença de um intérprete deverá ser exigida pelos órgãos executivos de trânsito no momento do credenciamento e autorização de funcionamento dos centros de formação de condutores e outras entidades que atuam na área. A resolução admite que profissionais dos próprios estabelecimentos sejam capacitados para cumprir a função.
Dentro do processo de habilitação, as fases que devem contar com o atendimento especializado para pessoas com deficiência auditiva são: avaliação psicológica; exame de aptidão física e mental; curso teórico técnico; curso de simulação de prática de direção veicular; exame teórico técnico; curso de prática de direção veicular; exame de direção veicular; curso de atualização; curso de reciclagem de condutores infratores; cursos de especialização.

Serviço: mais informações sobre resoluções do Contran podem ser obtidas no site: www.denatran.gov.br/resolucoes.htm



quarta-feira, 22 de junho de 2016

DO AUTISMO AO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA

Os estudos sobre as patologias infantis são relativamente recentes. No século XIX, por volta de 1820, o único quadro com que se apresentava a criança, era sobre a deficiência intelectual, chamado de idiotia e que havia sido denominado pelo psiquiatra francês Esquirol. Esse quadro continuou com Pinel, por algum tempo, pois nesta época se acreditava que as crianças por causa do processo de desenvolvimento, não poderiam apresentar determinadas patologias.

O termo autismo apareceu em 1908 e foi criado por Bleuer, psiquiatra suíço, que designou esse termo para se referir ao paciente adulto com esquizofrenia que apresentava um grau alto de retraimento. Mas só em 1943, que Léo Kanner, psiquiatra austríaco, retomou esse termo e não mais utilizou para pacientes adultos mas para descrever as onze crianças que observava e eram diferentes dos quadros de demência precoce, esquizofrenia infantil e oligofrenia. Nesta observação constatou que essas crianças, tinham inteligência normal, possuíam uma boa capacidade de memorização, mas havia uma incapacidade inata para estabelecer contato e se comunicar. Assim, inicialmente classificou essas crianças com distúrbio do contato afetivo autístico e em seguida, apenas autismo. Tal classificação foi utilizada erroneamente por muito tempo, decorrendo disso, uma confusão com o atraso mental e a psicose infantil. O quadro apenas se esclareceu após 1970, passando a ser classificado nos manuais de psiquiatria.

Atualmente, temos o DSM-V que é o novo manual utilizado pela psiquiatria, e esse quadro é denominado por Transtorno do Espectro Autista - TEA. Engloba diferentes síndromes marcadas por perturbações do desenvolvimento neurológico com três características fundamentais, que podem se manifestar isoladamente ou em conjunto. São elas: dificuldade de comunicação por deficiência no domínio da linguagem e no uso da imaginação para lidar com jogos simbólicos, dificuldade de socialização e padrão de comportamento restritivo e repetitivo.

 Os tipos de Transtorno de Espectro Autista são:

1) Autismo clássico: dificuldade de interação, poucos se comunicam, a compreensão é no sentido literal das palavras. São isolados. Não olham para as pessoas. Não imitam as pessoas e apresentam muitos comportamentos esteriotipados e repetitivos. Há um grau de deficiência mental importante.
2) Autismo de alto desempenho (antiga Síndrome de Asperger): são as mesmas dificuldades do autista clássico, mas em grau menor; são verbais e muitos inteligentes, confundidos com gênios, pois se tornam especialistas nas áreas que tem habilidades.
3) Distúrbio global não especificado: não se classificam nos quadros anteriores.

Pesquisas recentes mostram que o TEA já atinge uma em cada cem crianças. O diagnóstico é realizado pela área médica e pela psicologia e essas crianças precisam de tratamento conduzido por ambas e áreas afins, assim como seus familiares, de apoio e orientação.

 Telma Maria Duarte Rodrigues Psicóloga da Unidade Clínica da Ame